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FakeTales Of San Francisco

  • Sep. 18th, 2009 at 8:42 PM
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1.       Mapa da Califórnia

“Porque essas coisas sempre acontecem comigo?” pensei em voz alta arrumando minhas coisas espalhadas pelo chão do quarto, mais uma vez, na pressa, esqueci de fechar a porcaria da mochila antes de dar um super giro nela pra pendurar no ombro, eu sou esperta.

 Apesar do aborrecimento matinal eu sou um amor de pessoa, sério. Arrumei tudo, fechei a mochila e chequei pra ver se tava bem fechada e sai. Na minha casa somos minha mãe – que trabalha como advogada pra uma empresa importante e fica fora de casa o dia inteiro – e eu, como me atrasei passei pela cozinha pra pegar uma barrinha de cereal e pendurar o bilhete que escrevi na geladeira “Viajei, te amo, beijos e me ligue”. Aposto que minha mãe vai querer me matar, mas eu avisei que ia viajar afinal férias são para isso, se ela não pode tirar um tempo pra ir pra casa de campo comigo eu arrumo outros planos e vou. Assim que abri a porta me senti um pouco perdida por causa da neblina, mas focalizei no carro vermelho parado na rua e fui até ele. Dentro do carro tudo parecia alegre e quente (aqueles dados de pelúcia pendurados no retrovisor sempre me faziam rir), quase outro mundo em comparação com a neblina e o frio do lado de fora. Sentei no banco do carona e me inclinei pro banco do motorista pra cumprimentar Sam com um beijo no rosto, ela riu e ligou o carro. “Tava fazendo as malas agora de manhã?” perguntou ela me olhando de lado, só agora reparando que eu carregava apenas uma mochila com cara de estar suportando mais da metade que a elasticidade do tecido agüentava. “Vamos passar um mês, não um final de semana, sua louca!” bradou a ruiva quase perdendo a direção da estrada, estávamos passando pelo Golden Gate Park, um dos meus lugares prediletos. Pra mim tanto faz, lavo as roupas usadas, comprou algumas novas (pego umas da Sam emprestadas), nada de mais, realmente tinha esquecido de arrumar uma mala decente, mesmo como tanto que ela avisou e lembrou. Mas agora que estava de cara com a Sam, sabia que isso ia render assunto. Ela é planejadora demais, acredite, essa nossa viajem já esta passando por ‘edições’ na mente dela há alguns meses, coisa com a qual eu só me preocupei tem uns dias, porque tive que ir no banco pegar dinheiro. “Eu sei, mas, chegando lá eu compro mais roupa, ta bom? Me lembra.” Sabia que assim poderia diminuir as horas de sermão sobre planejamento e responsabilidade, afinal tinha acabado de passar a responsabilidade de me lembrar a ela, eu sou esperta, de verdade. Mas nem sempre as coisas acontecem do jeito lindo que pensamos. “Mel, minha querida amiga avoada, nós estamos indo para um acampamento, lembra? Pra curtir a natureza, viver em cabanas de madeira, dividir o quarto com meia dúzia de desconhecidas, não para um hotel cinco estrelas em Palm Beach, aonde vamos comprar roupa no MEIO DO MATO?!” essa foi forte, ela agora nem olhando para mim tava, vidrada na estrada e apertando com força o volante, era a melhor amiga que alguém poderia querer, responsável, atenciosa, super gente boa e sabia dirigir! Precisava descontrair “O QUE?! Não vamos para um Hotel em Palm Springs.. err Beach?! E o que eu faço com todos os biquínis que trouxe na mochila, cara?” ela riu, melhor, ela gargalhou e me deu um tapinha amistoso na cabeça, não muito fraco, mas obviamente amistoso. Liguei o rádio e procurei alguma estação interessante, como não aconteceu, peguei um cd da Sam e botei pra tocar. Era um daqueles misturados e gravados no computador sabe? De certa forma todas as músicas têm um significado, representam um momento, tipo música de primeiro beijo, ou de formatura. A primeira música que tocou era a do filme preferido da Samantha, nunca lembro o nome apesar de ter visto (admito que dormi a maior parte) duas vezes, ela começou a se rebolar no banco e cantar alto, hilário. Paramos no cemitério pra pegar o Luigi, nosso estudante de intercâmbio favorito (na verdade o único que conhecemos, mas não fala isso pra ele). Esse sim sabia arrumar as malas, mas preferi nem comentar pra não trazer o assunto à tona de novo, ele jogou as coisas no banco traseiro do carro e se espremeu entre a mala e mochila dele e a minha mochila obesa. “Gatas! Prontas pra arrasar?!” ele tinha um sotaque engraçado, eu achava engraçado, a certinha da Sam dizia que era a prova do esforço de aprender nossa língua. Que seja. Agora a viajem ia começar, e lá estava eu, com meus dois melhores amigos, no carrinho vermelho com dados de pelúcia da Sam, com ela e o Lui cantarolando aquelas músicas populares do cd que botei e rindo à toa. Olhei pra fora da janela e lá estávamos nós, suspensos a 227 metros acima do mar, na ponte vermelha mais linda do mundo (na minha humilde opinião, claro) considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno, e acreditem a vista lá de cima faz tremer. “Eu li na internet que muitas pessoas gostam de se jogar daqui... tipo suicídio” começou Luigi reparando meu encanto com a vista, mania dele de saber dos fatos ‘tristes’ dos lugares, fechei a janela porque tava ventando muito e assim que virei pra implicar com ele, meu celular tocou e eu gelei. Era uma versão rock da quinta sinfonia de Beethoven, não sei ao certo, uma coisa dessas que minha mãe decidiu usar como toque dela no meu celular. Já estávamos saindo da ponte ela não poderia fazer mais nada. “Alô?” atendi nervosa. “Você perdeu a cabeça?! Melanie O’brian Schumann, onde você esta?!” confesso que falei do Luigi mas sou meio estrangeira também, minha mãe - alemã – casou com um americano, por isso moramos aqui, mas meu pai faleceu quando eu tinha quatorze anos.  Todo mundo sabe que uma mãe chamando a própria filha pelo nome completo não significa nada bom, até eu sei disso, mas não entendi como minha mãe já poderia ter lido meu bilhete se ainda estava na hora do trabalho. Outra coisa que todo mundo sabe é que mães lêem pensamentos, muita gente pode não acreditar, mas é verdade, tem alguma coisa que nos torna praticamente transparente diante delas, e como minha mãe é mãe ela adivinhou “eu tive que voltar em casa pra pegar uns papéis importantes e crente que ia te achar pendurada no computador ou aproveitando suas férias de forma produtiva, NÃÃÃÃO! Encontro um bilhete curto e grosso, você perdeu a cabeça?!” explicou ela alterada e repetindo a pergunta, acho que isso quer dizer que ela realmente queria resposta. Enquanto eu empalidecia dentro do carro, rumo ao norte da Califórnia, meus amigos desligaram a música e pareciam estar brincando de estátua, ou estava tentado ouvir o que minha mãe tava falando do outro lado, aposto que no tom que ela disse não foi preciso muito esforço pra ouvir. “Mãe, eu to com a Samantha e o Luigi, indo pra um acampamento lá pelos lados de Sausalito, um mês só” pude perceber pela respiração dela que tinha se tranqüilizado, afinal esse era o efeito que o nome Samantha surtia nela, uma paz de saber que alguém cuidaria de mim, absurdo! Mas eu tinha que continuar a frase, acrescentar ‘um mês só’, ela desligou na minha cara. Fiquei até com a perna bamba, mas sabia que ela ficaria bem, e que ligaria algumas vezes pra saber se estava tudo em ordem, normal. Apesar de eu ter dezenove anos, estar no segundo período da faculdade de música, já ter um empreguinho de meio expediente pra ajudar com as minhas despesas dentro de casa e ter me demonstrado desde cedo como desapegada, sabe o tipo independente, minha mãe era muito controladora e meio dependente de mim, e eu gostava disso. Estávamos em uma daquelas rodovias nas quais só se vê mato para todos os lados, contei o que a minha mãe falou, apesar de não ter sido muito e liguei o rádio de novo.

Claro que o plano era ir par ao tal acampamento em Sausalito, mas quando chegamos lá sentimos que não seria uma boa idéia ficar. O lugar era meio caído, não que estivéssemos esperando um Hotel de primeira (bem, eles não, mas eu bem que estava), mas o lugar parecia mais set de filmagens de filme de terror. Úmido, com cheiro de erva daninha e cheio de crianças e adolescentes com caras de zumbis, sem preconceito, mas não dava pra aproveitar as férias num lugar tão baixo astral como aquele. Demos uma volta de carro dentro do acampamento, checamos de longe as condições de hospedagem, por assim dizer, e preferimos arrumar outro lugar pra ficar. Foi um acordo entre os três, mas fazem idéia de como a Samantha ficou perturbada, “impossível, eu vi o site, o lugar parecia o paraíso, eu liguei, falei com o responsável... impossível” ela ficou chocada, de verdade, saímos do carro pra esticar as pernas e ficamos com lama até os joelhos (exagero meu, mas foi quase isso). Pegamos a estrada de novo “que furada, que furada, cara” reclamou Luigi agora ao volante, já que Sam estava vidrada no mapa desdobrado sobre as pernas, no banco do carona. “Vamos pra vila mais próxima, achar uma pensãozinha alugar um quarto e passear por ai de carro, tranqüilo” tentei minimizar a situação porque mesmo de onde estava acomodada dava pra ver o rosto da Sam pálido e irritado, que graças a minha sensibilidade foi ficando vermelho. “Tranqüilo?!” minha amiga ruiva (de farmácia) dona dos olhos castanhos escuros mais penetrantes que eu já conheci estava com ódio mortal. Não de mim claro, ela me adora, mas do fato de eu fazer pouco de toda arrumação que ela fez pra essa nossa aventura, e percebi que era tarde demais. Assim como ela é super segura e responsável, é um poço, fundo sabe? Ela guarda as coisas mais uma hora tem que explodir, certo? Qualquer pessoa normal que guarde mágoas, quando explode pode até ficar violento. Não Samantha Jenkins, dona de um temperamento incompreensível, ela chora. Sim, apesar de aparentar o tipo que não chora, que luta, que decide, que cuida, que faz. Ela desabou em lágrimas na minha frente, fazendo Luigi me fuzilar pelo retrovisor e encostar em um posto de gasolina no meio do caminho. “To com fome, vou abastecer nosso estoque de comida. E você conserta a besteira que vez, Mel.” Quando ele falava sério assim nem dava pra eu reparar no sotaque engraçado. Saí do carro descalça, abri a porta do carona, onde uma garota de dezenove anos (seis meses mais velha que eu) com um rabo de cavalo chorava agarrada no joelho como um bebê. “Saaaam, me desculpa, eu sei que você deu seu melhor, você não tem culpa se eles mantém fotos de uns séculos atrás no site, poxa” comecei. Tive que me esforçar por mais alguns minutos, inflar o ego da minha ruivinha, até que ela mostrasse a cara, aquele rosto fino e delicado, sempre com uma expressão gentil e decidida, tinha se transformado em um mapa do norte da Califórnia, não contive o riso. Com os olhos inchados de chorar Sam olhou no espelho e caiu na gargalhada também. Lui voltou com duas sacolas que pareciam estar cheias de guloseimas, provavelmente uma coisa salgada e o resto tudo doce, ele carregava as sacolas em uma mão enquanto a outra protegia os olhos da sujeira que o vento trazia. Fiquei olhando como ele era bonito, típico italiano de dezoito anos (e onze meses como ele gostava de falar nesses últimos dias), moreno claro, porte atlético, nem alto nem baixo, tinha certa presença, sabe? Quando alguém entra em uma sala e todo mundo olha, esse era o Luigi, ao ver que eu tava olhando atentamente ele começou a andar como se estivesse em uma passarela, e deu um sorrisinho que o descrevia, maroto. Com os olhos verde musgo semi-serrados e o cabelo castanho claro mal cortado (de verdade, parece que era pra ter franja, mas ele penteia pro lado, meio jogado, sei lá) sendo bagunçado pelo vento ele se aproximou, e foi pra porta de trás do carro “você dirige, bela”, disse jogando a chave pra mim, enquanto Sam tentava sem sucesso limpar o rosto borrado do mapa no qual ela chorou encima. “Pra onde vamos?” perguntei animada e sem receber resposta liguei o carro. Pelas placas pude notar que já estávamos pra lá de Windsur, apesar de não ter nem passado da hora do almoço eu já estava cansada e com fome, e era claro que meus companheiros de viajem também. O ronco do Luigi deixou claro que acordar cedo não era pra ele, e o barulho vindo da barriga da Sam parecia conversar com o monstro da minha barriga. Nossas risadas em reação aquela ‘conversa abdominal’ acordaram o Luigi, “Belas vamos parar pra comer?” perguntou abrindo os olhos e com a cara toda amassada. Seria uma ótima idéia, se eu ao menos soubesse onde estava. Agora sim era uma aventura, o mapa havia sido completamente destruído pelas lágrimas e não havíamos lembrado de comprar antes de sair do posto, apenas segui a pista, fui atrás dos outros carros na minha frente. Não era um plano, mas era alguma coisa. Mais uns cinco minutos e paramos em um restaurante de beira de estrada, um daqueles lugares caros, feitos para turistas, como não tínhamos idéia do que fazer preferimos procurar mais, por um lugar barato pro dinheiro não acabar logo. Entrando em uma rua que saia da estrada principal e passando por umas árvores e mais mato encontramos uma lanchonete, perfeito. “Já chegou?” perguntou minha mãe mais calma, pelo barulho no fundo estava no escritório, já estávamos comendo e quase me engasguei quando o telefone tocou, o que falar pra ela? “Ahan” eu minto mal, não que eu não me esforce se for algo pensado com antecedência eu convenço qualquer um de qualquer coisa, mas assim no susto, com fome e sono, sem chance. “Melanie... onde você esta?!” não foi nada fácil contar o que houve, minha mãe gritou, ordenou que voltássemos, disse que vinha buscar, mas me mantive firme e disse que encontraríamos um lugar pra ficar, e seriam as melhores férias da minha vida, ela só sossegou quando prometi ligar pra dar notícias.
 

By: Dayane Araujo
/ahouseofcards

Through her eyes

  • Aug. 14th, 2009 at 7:42 PM
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Capítulo Um: Oi.

Lá estava ela, novamente, sentada sobre a tampa do vaso, com as pernas curvadas e apoiadas contra a porta do banheiro. Seu bloco de notas pairando, como sempre, vazio sobre seus joelhos. A caneta destampada e imóvel, mantendo o equilíbrio entre seus dedos. Toda a sexta-feira essa era a rotina de Elizabeth. As aulas de teatro contavam como atividade extra-curricular, mas aconteciam entre os tempos de Biologia e História, duas das aulas preferidas dela, por isso não ia embora, mas encarar dois tempos descobrindo seu “eu” interior era demais. Há algumas semanas que não encontrava tempo para ir à livraria da cidade caçar alguma novidade, todos seus deveres de casa estavam em dia, não havia nada com que ela pudesse preencher seu tempo livre, logo decidiu anotar seus pensamentos em um bloco de notas. Mas nada que ela pensasse poderia, ou deveria, ser escrito. Vivia preocupada com sua situação em casa, morando com sua irmã mais velha, e com suas notas na escola, mas principalmente, vivia pensando no passado, e em tudo que acontecera até chegar ali. Por isso não tinha amigos, não tinha tempo, muito menos paciência. Depois de um ano fugindo das perguntas pessoais e mantendo um comportamento seco – diferente das outras meninas de sua sala – ela conseguiu afastar todos que tentaram se aproximar. Sentava-se destacada de todos, obviamente não participava de nenhum grupinho e, aparentemente, não tinha o que chamavam de estilo, mas não se vestia mal. Andava sempre com os fones de seu mp3 pendurados no ouvido e com a mochila visivelmente pesada. Considerava a escola como um estágio de sua vida, uma provação, algo pelo qual ela teria de passar para encontrar a tão sonhada liberdade. Por isso não queria se apegar a ninguém, tinha medo de sofrer, de novo. Por sorte não havia encontrado ninguém que valesse a pena, todas as meninas de sua turma viviam se admirando no espelho ou organizando festas, algumas até montavam grupos de estudo, mas nada que interessasse a jovem Lizy. Já os meninos não conseguiam manter uma conversa decente por mais de dois minutos sem falar em futebol, o que interessava menos ainda à menina.

O sinal tocou.

Alto e claro com sempre, mas assustou a garota, que com um estrondo derrubou a caneta e o bloco no chão, que deslizaram por baixo da porta do banheiro sumindo da vista. Elizabeth abaixou tão rápido pra tentar pegar o material que bateu com a cabeça na porta. “Merda!” praguejou a menina, abrindo a porta e apoiando a mochila no ombro direito. Ela varreu o chão do banheiro com o olhar e parou na figura sentada com as pernas cruzadas sobre a pia, com a mochila no colo e o bloco e a caneta – agora tampada -, que não lhe pertenciam nas mãos. Liz encarou a estranha por um segundo, feliz em conhecer bem a resistência da pia, e tendo certeza eu nunca havia visto aquela garota pela escola, e mesmo assim ela passava uma confiança que nenhum novato jamais passaria. “Oi!” a estranha quebrou o silêncio com um sorriso perturbadoramente sincero e um aceno de cabeça gentil. A mochila de Liz escorregou de seu braço e fez um barulho abafado quando bateu no chão, o barulho despertou-a de seu devaneio e fez a menina agir sem pensar, ajeitou a mochila no ombro de novo, passou pela menina, pegou seus pertences bruscamente e saiu, tudo sob o olhar atento e minucioso da estranha. A caminho da sala pensou no que tinha feito, tinha algo de perturbador no jeito como a menina sorria pra alguém que nem conhecia, Lizy estava no segundo ano e desde o final do primeiro ninguém mais falava diretamente com ela, o que não era um incomodo, afinal sempre tinha deveres, livros e música, pra que amigos? Chegando na sala sentou no seu lugar de sempre, abriu o caderno pra copiar a matéria que o professor já estava passando no quadro, quando lembrou que ainda estava com o bloquinho na mão. Sentiu-se péssima por ter sido tão grosseira com a desconhecida, afinal, mesmo que não fizesse questão de ser a miss simpatia não havia motivo algum pra tratar mal alguém. Mesmo ressentida Elizabeth não sabia ao certo se queria pedir desculpas pelo mau jeito e agradecer a menina por ter pego suas coisas, não sabia se agüentaria outro olhar daquele... Desconcertante. Como se ela pudesse ver além do que estava bem na sua frente, como se atravessasse o muro que protegia a menina e a desarmasse apenas com um olhar. Liz preferiu esquecer, fechou os olhos respirou fundo e os abriu de novo, sentindo-se mais aliviada, até abrir o bloco e ler – onde deveria estar em branco – “fugir dos problemas não os resolve”, em uma letra que não era sua. Um frio percorreu sua espinha.

By: Dayane Araujo
/ahouseofcards

I could've fallen in love...

  • Aug. 13th, 2009 at 10:00 PM
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I’m there.

Again.

Damn it!

I’ve tried so hard not to get there again. That huge and stupid place and how I get here? Can’t even remember, that’s sad. For those who are laughing at me, don’t do it, you’ll get here too, everyone will. You know when nothing else matter, when just can’t see anyone around, when everything is just a big and non sense blur. I’ve felt in love, and it sucks. L-o-v-e, how a four letter word has the power to move a mountain – like they say - ? There’s a lot of poetry, songs, movies, books and all kind of stuff talking about love, but for me it’s only a big shit, where you feel dumb but can’t fight against. Of course there are some ‘believers’ – all those peace and love people – that say, that finding love is some special thing. I say: Seriously?! Because for me is not a finding question, is more really a falling thing. Into a dark and unpredictable hole. Is when even the most skeptical person starts to believe – and even swear have seen it – in fairies. Does it sound like crap? Because it is, see? Is unexplainable. And there’s no way of falling in love and be one hundred per cent happy about it. I have to admit, some people get lucky, they love someone, and this same one loves him back, but these beautiful cases are so rare nowadays, trust me. And if you fall for someone that doesn’t even know your existence, dear reader, you will suffer. But is that your fault? No. Because there’s no way to escape from that curse! That’s the word: curse. Someone must have suffered a lot and cursed the whole humanity to feel the same way at least once. And I’m not overreacting when I say ‘the whole humanity’, because maybe you’ve never felt this way, but you will, seriously, I’m not cursing you, but that’s life. You don’t ask to, but you born. You learn to life with that, with you difficulties, always having your parents to support, but one day you see it’s time to leave, you fall in love, suffer and die. Well, maybe not that tragically, but it starts and end this way. Don’t you fool yourself thinking “I love my parents, my siblings, my friends, and I’m happy”, this love doesn’t count. There’s nothing painful in loving your relatives. That’s quite an easy thing, that’s love’s pretty face. You love all these nice people around you, they love you back, and you feel fulfilled with that. But at some point you’ll feel, somehow, empty. That’s the first sign. Then you’ll look around, and there you go, that nauseous feeling takes over you, you blush only with his/her presence. Gotcha! – is love screaming and pointing to your blushed, in love, face – you lost. From now on your life looses completely the meaning, the sense, your just another fool listening – and almost crying – with those love songs. That by the way, always fit in exactly. I, smart person, know that no one is perfect. There are a lot of very kind people, but no one is completely good, and – I like to think – no one is totally bad. But, have you ever tried to talk to a person that is in love? If you manage to do it ask, what is the most ‘cute’ quality of his loved one. Most likely answer: Perfection. BULL SHIT! They are able to swear that their loves have perfect smile, hair, behavior, and I ask you, how?! It’s just so not true. Show off. Is not you thing? Believe me, once you’ve felt in love you’re lost. A big part of the in love people start to show off, is like some voice said in their heads “if you’re feeling it, say it, out loud.” And that is quite enough to fulfill their internet homepages with hearts and lovely texts. Come on! That’s when you’re loved back, but what about the ones that can’t say, can’t yell their love around. This one suffers twice, because they have to be smarter and less obvious. What? You’re getting nervous with my words? That’s ok, I get you, when people fall, have this tendency to become sensible. Everything is a cry or arguing reason. Why? Because when we draw about love is always hearts and butterflies. The stomach butterflies are most to represent your impatience, your state of happiness. That’s so wrong from the in love people, always thinking they can reach the skies, there’s no gravity law for these fools. The hearts? Have you ever seen one at school books? Not pretty. You’ve read about them? Stubborn. They just keep pumping blood everywhere, like some crazy and uncontrolled thing. Unreasonable. That’s how love feels. That’s why you don’t draw little fluffy brains instead, because there’s no thoughtful reason for love, is all about the crazy ‘keep pumping’ feeling, all you need to keep your body moving. Love. CRAP!
I’m my opinion of course. Come on, say that you can’t breathe if the object of your love isn’t around. I repeat. Seriously? Unless you love your body-attached twin that shares a lung with you. Otherwise, grow up! As when they say that can’t be apart. Please, once the doctor cut the only ‘wire’ that keep you linked to someone else – the umbilical cord, dummy – you’re free to live, without strings, why can’t these people do this? Is not like you should live alone, but that’s why family is there... and television and dogs – if you’re a cat person, I’m sorry, but I’m not - . I’m not judging, well I am, but is not really my intention, you see, I’m with you. Now, I’m sharing this view, of nauseous butterflies and perfection with you, I just too skeptical to accept that easily – and in too much pain, for not being loved back, to see things clear -. I could waste days of my life writing about how stupid and mind blowing this feeling is, but I do have more to do. What? Well, I have some e-mails to answer, have to pull a few stuff together… Ok, ok, I have to figure out dozen ways to make him notice me, crap! :)
 

By: Dayane Araujo
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